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ISQ – INSTITUTO SOLDADURA E QUALIDADE

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INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (I&D)

Os objectivos da I&D, tiveram uma alteração radical nos últimos anos, mercê das transformações geradas na Sociedade e da facilidade que os novos meios tecnológicos trouxeram à Comunidade Científica.
A I&D tem actualmente um carácter horizontal, envolvendo áreas bastante diversificadas que se cruzam e com o objectivo de obter novos Produtos, Processos ou Procedimentos, que tenham um tempo de entrada no mercado tão curto quanto possível, pois ficam rapidamente obsoletas.
Adicionalmente, o cruzamento das diferentes áreas tecnológicas, permite obter também soluções inovadoras e globalmente competitivas.
A Investigação Fundamental tem neste contexto uma maior abrangência, o que nalguns casos permite alargar o leque de aplicações, quando elas se colocam, embora não sejam em si mesmo um objectivo.
As Tecnologias de Informação e Comunicação, Sensores, Biotecnologia, Nanociências, fazem da Engenharia uma ciência aplicada que penetrou em áreas tão diversas como a Medicina ou Equipamentos Industriais.
A União Europeia, fez dos vários Programas Quadro, um potencial de co-finaciamento das Instituições para I&D, duma forma estrategicamente posicionada, com o objectivo de fazer destes instrumentos importantes ferramentas do Desenvolvimento e da Inovação. Actualmente, no 7º Programa Quadro, o investimento em curso entre 2006 e 2013, é superior a 50 000 M€ (cinquenta mil milhões de Euros), o que é o valor mais elevado até agora disponibilizado, mesmo tendo em conta o alargamento do número de Países da UE e de um período de aplicação de sete anos.
As Transformações Geopolíticas e o Ambiente introduziram à escala global, objectivos concretos do Desenvolvimento Sustentável, i.e., alargou a extensão da cadeia de valor tal como ela era encarada até há bem poucos anos. A Qualidade, Ambiente, Segurança e Saúde e mais recentemente a Responsabilidade Social, são factores da Gestão e Competitividade das Empresas.
O 7º Programa Quadro da UE abriu no fim de 2006, com concurso para apresentação de propostas nos vários domínios Científicos e Tecnológicos, em Áreas consideradas Estratégicas. Foram definidos objectivos de curto, médio e longo prazo, nalguns casos a 20 ou 25 anos. O ITER é um exemplo que tem sido bastante referido pela Comunicação Social, e que proporcionará a Produção de Energia Nuclear, baseada na Fusão Nuclear e que vai requerer ainda um período de cerca de 15-20 anos só para construir o primeiro protótipo (a produção de Hidrogénio como subproduto destas novas unidades, é outro factor também importante na sociedade hoje). Esta é uma aposta da UE, Japão, e EUA estão empenhados na parceria constituída para o efeito. Este grande projecto tem já uma grande contribuição da I&D e a UE, estará por certo empenhada em ter um papel importante, dada a escassez cada vez maior de recursos energéticos de grande Potência, não poluentes, i.e., de Emissões Nulas e maior Segurança que as Centrais Nucleares Convencionais, baseadas na fissão.
O Programa Galileu, o sistema de navegação Europeu tem sido o alicerce da investigação para o sector espacial e a bandeira da União Europeia face ao seu concorrente GPS.
A estratégia das Empresas, Unidades de I&D e Universidades, definiram, para o 7º Programa Quadro, cerca de 30 Plataformas Tecnológicas, baseadas nas SRA (Strategic Research Agenda), onde se propõem acções de curto, médio e longo prazo, para fazer face aos objectivos que a UE (Conselho, Comissão e Parlamento) definiu como grandes áreas de desenvolvimento. De referir também que pela primeira vez, a UE valorizou a Investigação Fundamental como
instrumento estratégico para o conhecimento científico, dotando-a de recursos financeiros bastante significativos.
A organização das Plataformas Tecnológicas, foi conferida à Industria, de modo a definir as estratégias nos vários domínios. Dada a complexidade das aplicações tecnológicas, criou-se uma rede de interligações entre as várias plataformas, de modo a rendibilizar os resultados obtidos, recorrendo aos vários Processos da Inovação. As Universidades e as Unidades de I&D, têm aqui um papel fundamental como catalisadoras do conhecimento científico e tecnológico, mas as empresas continuam a ter o papel mais importante, pois são estas que geram maior valor e mais emprego.
No momento actual a Comissão Europeia está a dinamizar as chamadas JTI (Joint Technology Initiative), de modo a juntar objectivos e esforços de diferentes áreas para que mais rapidamente se atinjam os objectivos pretendidos de uma forma eficaz.
A crise financeira que despoletou no último trimestre 2008, acabou por ter repercussões económicas, atingindo níveis nunca vividos senão na crise do fim dos anos vinte do século passado. Mesmo as empresas de base tecnológica foram duramente atingidas, para não falar das PME’s.
Portugal, através dos Organismos Oficiais dependentes dos Ministérios da Ciência e Ensino Superior e da Economia, tem feito chegar essas informações às organizações de criação de valor. As Universidades e os Centros de I&D, continuam a liderar os processos de submissão de propostas em consórcios internacionais; no entanto nos últimos 3 a 4 anos houve pela primeira vez em Portugal uma inversão dos actores da I&D, pois o investimento das Empresas e Instituições Privadas investiram mais que o Estado e o valor total de Investimento versus PIB ultrapassou a barreira de 1% estando próximo de 1,5%. No sector das TIC, o valor criado pelo conjunto das Universidades, Centos de Investigação e Empresas está já ao nível médio da UE, representando o maior desafio que aconteceu no nosso País nos últimos anos.
Recentemente no nosso País foram criadas as bases para um desenvolvimento substancial em fileiras como por e.g., as da Floresta e das Energias Renováveis, que por si têm um elevado peso na constituição do PIB e nas exportações. Só a fileira da Floresta representa mais valor que a Industria Automóvel (no seu máximo de produção, ou seja antes do último semestre de 2008) e a EDP é neste momento um dos grandes Investidores Mundiais em Energias Renováveis, pois estão previstos a médio prazo, investimentos superiores a 12000 M€, colocando Portugal no mapa mundial das Energias Verdes. Estão também a ser incentivados “clusters” em torno de sectores tradicionais e emergentes de modo a aumentar a cadeia de valor e colocando Portugal num patamar que lhe cabe por direito próprio, reabilitando Industrias que quase desapareceram, como o sector Metalúrgico e Metalomecânico, com a produção de bens de equipamento. O investimento na cadeia de valor humano, como a Educação Superior e a Formação, fortemente incentivado desde a nossa entrada na UE, mas sobretudo nos últimos anos, será fundamental de forma a proporcionar uma consolidação dos saberes.

Inspecção de “Risers” em Plataforma “Offshore”
usando ”Guided Waves”

Uma das questões que se tem colocado está relacionada com a actual crise financeira e económica mundial no futuro das Empresas e por consequência no Investimento em I&D.
Há um consenso de que a I&D e a Inovação terão um dos papéis mais importantes na recuperação económica, pois o Investimento Intangível será o catalizador da mudança para um novo paradigma. Portugal foi atingido duramente com esta crise, no meio de um processo de desenvolvimento com o objectivo de se aproximar mais da média Europeia e os sectores que tinham maior peso nas exportações na balança de pagamentos cronicamente deficitária, foram os mais afectados. A I&D e o Investimento em meios humanos é a melhor forma de reverter a actual situação, procurando em sectores que terão um papel importante no futuro, como e.g., as Energias Renováveis e tudo o que este sector representa, no “cluster” respectivo. Os Pólos de Competitividade e Tecnologia são um Instrumento recentemente criado no âmbito do programa QREN, e são uma das formas, de no médio prazo, desenvolver e consolidar os desafios futuros, incluindo o emprego de maior valor.
Como Centro Tecnológico o ISQ tem-se posicionado nos lugares cimeiros em termos de Investimento em I&D, criando valor que interioriza nos seus serviços ou disponibiliza ao sector produtivo. O Investimento em I&D tem-se situado entre 10 e 15%, do valor total dos serviços, a maioria de elevado potencial técnico e económico. Nos últimos vinte anos o valor de Investimento em I&D, foi superior a 50M€. Os objectivos principais da I&D no ISQ estão amplamente relacionados com a incorporação e aplicação dos resultados nas suas actividades, através dos vários processos da Inovação, permitindo a criação de valor pela aplicação das Novas Tecnologias (Investimento Tangível) e das pessoas gerado pelo conhecimento adquirido (Investimento Intangível). O ISQ tem um activo intangível em bastante considerável, superior ao nível médio do país considerando instituições similares; mais de metade dos seus recursos têm formação superior, com diferentes pós-graduações, incluindo mestrados e doutoramentos.
A Unidade de I&D em Análise de Ciclo de Vida de Produtos e Componentes Industriais Soldados, coordenada pelo ISQ tem vindo a ser reconhecida pelo seu mérito técnico científico e consequentemente financiada pela FCT anualmente desde há cerca de 6 anos.

A I&D estende-se actualmente bastante domínios onde haja potencial de exploração de resultados a curto, médio e longo prazo, sobretudo nos mercados onde se implantou:
- “Oil &Gas”
- Energia (incluindo a fileira das Energias Renováveis)
- Química
- Aeroespacial
- Transportes (ferroviário)
- Pasta e papel
- Grandes Estruturas
- Indústria marítima
- Cimento

As áreas de I&D mais activas estão directamente ligadas à actividade de interface com a Industria e alguns Serviços:
- Manutenção e Integridade Estrutural
- Ensaios Não Destrutivos
- Redes de Gás
- Materiais
- Tecnologias de ligação
- Comportamento de Superfícies
- Qualidade, Ambiente e Segurança
- Tecnologias de Informação e Comunicação
- Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
- Biomateriais
- Sensores e Monitorização
- Electrónica e instrumentação

As actividades desenvolvidas na Manutenção e Integridade Estrutural, alargam-se cada vez mais aos sectores Industriais de Grande dimensão. Para além da incorporação dos resultados da I&D nas suas actividades, o ISQ tem uma responsabilidade no apoio às PME’s, quer ao nível dos Processos da Inovação, quer na sua participação em projectos de I&D ou na introdução de Novas Tecnologias. O ISQ tem apoiado com a sua participada, ASK, a Transferência de Tecnologia e sobretudo a criação de Novas Empresas.
No “Campus” do ISQ nasceu uma Incubadora, com a participação (além do ISQ), do TAGUSPARK e da CMO, Câmara Municipal de Oeiras, geradora novas empresas âmbito tecnológico.
As parcerias do ISQ estendem-se hoje no domínio da I&D, a mais de 30 Países, e mais de 1000 Empresas e Entidades de I&D, numa complexa rede de interacção científica e tecnológica. As parcerias internacionais englobam Instituições como a ASD, ESO, EADS, ESA/ESTEC, CERN, NASA, NREL, SIEMENS, ALSTOM, BP, ROLLS ROYCE, SHELL, ITER, só para nomear algumas Organizações de maior relevo. O ISQ é também parceiro em Instituições como IIW, “International Institute of Welding”, e o EWF, “European Welding Federation”, nas Tecnologias de Ligação onde continua a manter uma posição de destaque.
Importa ainda destacar alguns aspectos sociais, que aparecem como consequência dos seus objectivos estratégicos. Nos últimos vinte anos o quadro de pessoal aumentou mais de seios vezes, o que dá uma taxa média anual de crescimento de 30% (em Instituições congéneres Europeias este valor é negativo ou ligeiramente positivo). Actualmente o mercado externo representa para o ISQ cerca de metade do volume total de serviços prestados; para isso contribuiu a I&D e a Inovação através da introdução das Novas Tecnologias, Processos e Procedimentos. A existência do ISQ, com resultados de exploração sempre positivos, demonstra que ao longo de quase meio século, soube sempre criar riqueza de elevado valor acrescentado.
Nos tempos de crise que o País atravessa foi fundamental a diversificação de mercados e a sua consolidação, o que tem permitido manter os níveis de emprego e aumentar o volume de negócios. No entanto dado que o futuro é ainda incerto, devido à instabilidade dos mercados, está a ser feito um esforço considerável na I&D e na Inovação de forma a estar preparado para a retoma da economia (participação alargada em Plataformas Tecnológicas, PPP- Parcerias Público Privadas, Pólos de Competitividade e Tecnologia).
Um outro desafio em que o ISQ está empenhado é na renovação dos seus Quadros, pois a geração que esteve no seu desenvolvimento nos últimos trinta anos está próximo de sair do activo. Para isso estão a ser investidos actualmente meios consideráveis no Desenvolvimento Técnico e Científico, através de Doutoramentos em Universidades Portuguesas, nas parcerias efectuadas com a CMU e o MIT e na Formação contínua dos seus colaboradores. O futuro é encarado com algum optimismo, mas dando atenção redobrada ao desenvolvimento da crise mundial.

Teste do revestimento térmico do primeiro vaivém espacial da ESA (Agência Espacial Europeia).


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