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Prefácio por

Humberto D. Rosa
Secretário de Estado do Ambiente

A política de ambiente em Portugal e na Europa tem vindo a consolidar-se e a ganhar maturidade em múltiplas frentes. A solidez das nossas instituições, organizações, empresas, instrumentos e infra-estruturas de ambiente é hoje bem maior que há um par de décadas atrás. Mas a implantação de uma política de ambiente, embora tendendo com o tempo para se reforçar, não é um processo uniforme e linear. Tem altos e baixos, na forma de fases em que há avanços mais acentuados, e fases em que eles são mais mitigados, ocasionalmente mesmo recuos.

Manifestamente, os períodos em que a situação económica de um país não é a melhor, não são a priori os mais favoráveis para uma plena prioridade à protecção do ambiente. Nesses períodos, as preocupações imediatas dos cidadãos estarão porventura mais centradas no emprego e no rendimento, que na qualidade do ambiente. E logo surgem aqueles que militam na tese de que ambiente e economia são como os dois pratos da balança, em que para um subir o outro tem que baixar, tentando dar passos atrás na defesa do ambiente.

A verdade é que o ambiente e a economia não são realidades dicotómicas, antes se complementam e entreajudam. Quando a política de ambiente dá um passo em frente, a economia em geral vem atrás, em busca da oportunidade de eficiência e inovação assim criada. E é por isso que foi possível, nos passados 4 anos, fazer conviver uma fase de procura activa da consolidação das contas públicas e da recuperação económica, com uma fase de profunda reforma e reforço da política de ambiente.

Mas eis que surgiu uma avassaladora e insidiosa crise económica mundial, de escala e efeitos inéditos. Como de costume, muitos pensaram que agora sim, o ambiente iria para a gaveta, para abrir alas à recuperação económica. Alguns anteviram mesmo a suspensão da avançada política de clima e energia que a União Europeia delineou, apesar de este ser o ano da Cimeira de Copenhaga, que em Dezembro deverá ditar o novo regime mundial para as alterações climáticas.

Creio sinceramente que mais uma vez se enganaram. O pacote energia-clima da UE foi aprovado, mantendo intacta a sua integridade ambiental. E o combate à crise económica, em toda a parte, do sector automóvel até à produção de energia, procura sinergias e oportunidades através de objectivos ambientais. Afinal, a grande oportunidade que esta crise económica permite é a de abrir caminho a uma nova ordem das coisas, uma nova economia mais verde, mais sustentável e mais regulada, que permita prosperidade duradoura e com bases perenes.

Estas são razões pelas quais um Directório de Ambiente faz cada vez mais sentido. As empresas e entidades que operam no sector do ambiente serão cada vez mais chamadas a ter um papel activo na construção da sustentabilidade, que é um dos mais nobres desideratos da condução das sociedades e comunidades de hoje e do futuro.


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